Ontem foi a festa da Laterne (lanterna) das escolas aqui do bairro. Mais uma tradição da qual eu sempre ouvia falar, das músicas que até hoje eu sei cantar, mas nunca tinha vivido de verdade.
Dia 11 de novembro é dia de São Martin, que pelo que eu soube foi um soldado romano que ajudava os pobres. Diz a lenda que uma vez ele cortou seu manto ao meio e deu uma metade a um mendigo que estava morrendo de frio na neve. Depois disso ele sonhou que quem havia recebido o manto foi Jesus, que estava disfarçado de mendigo.
E a tradição de celebrar o dia de São Martin aqui na Alemanha é as crianças pequenas confeccionarem lanternas de papel e saírem à noite passeando no escuro com elas cantando músicas referentes à lanterna e a São Martin. Parece que andar com a lanterna é um ato simbólico de trazer luz ao mundo.
E lá fomos nós ontem à noite pra festa da Laterne do Rafa. Ele fez a dele na escola com as professoras, e estava muito orgulhoso.
A turma da escolinha do Rafa ia se encontrar no parque aqui do bairro (pra quem já esteve aqui é aquela praça perto do banco) às 5 e meia da tarde (que na verdade já é noite, escuro, escuro).
Chegamos lá e já tinha um bocado de gente, as crianças com suas lanternas brincando, muito legal. A professora de música estava tocando as músicas tradicionais no violão e as crianças e os pais cantando, muito lindo. Sorte que não estava chovendo, estava frio, uns 5 graus, mas tranquilo.
E o mico, será que teve? Claro que teve, quando é que a Dani aqui vai num evento novo sem pagar mico? Bom, o da vez é que eu levei uma vela pra colocar dentro da lanterna do Rafa e quando chegamos lá estava todo mundo com umas lampadinhas penduradas dentro. Só o Rafa e mais uma menina que estavam com vela de verdade. Claro, assim ninguém corre o risco da vela queimar a lanterna... Mas como é que eu ia saber que eu tinha que comprar uma lampadinha dessa? Bom, ano que vem eu já sei. De qualquer forma o Rafa nem ligou, ele se achou todo importante com a vela dentro da lanterna, e cuidou bem dela, ela voltou inteirinha pra casa.
Do parque fomos todos juntos andando até a ex-escola da Marina, passeando pela cidade cantando as músicas.
Foi muito lindo, o Rafa amou andar pela cidade à noite com a Laterne dele.
Chegando na escola tinha uma fogueira, também tradição dessa festa, e o Rafa também adorou.
Além disso tinha barracas com vinho quente (pros adultos, 1 Euro cada) e ponche quente pras crianças (de graça). E, claro, pão com salsicha.
Foi tudo muito lindo! Eu quase chorei em alguns momentos, porque sou bobona, e porque as músicas me emocionam. E por pensar que estávamos todos trazendo mais um pouco de luz ao mundo.