Outono

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10 de abr. de 2013

No meio da floresta tinha um Kindergarten

Oi pessoal, vocês lembram do Jardim dos Cervos que a gente visitou com a minha prima no último domingo? Então, lá tem uma floresta, e fica na cidade de Bad Homburg, aqui perto.



E o que tem no meio da floresta? Um Kindergarten, ou seja, uma escola de educação infantil, pra 20 crianças de 3 a 6 anos.





Epa, Dani, peraí, mas nessa casinha tão pequenininha cabem as 20 crianças? Tadinhas, você só pode estar de sacanagem!

Não, minha gente, elas não cabem na casinha, mas elas cabem na floresta! A casinha é só pra guardar as coisas delas, o material, etc.



Mas elas passam o dia mesmo é na floresta, faça chuva ou faça sol, vento ou neve, elas exploram e curtem a natureza na companhia de 2 educadoras.



Eu nuca havia ouvido falar nisso, daí dei uma pesquisada e achei uma descrição legal da ideia pedagógica na Wikipedia, segue o link pra quem quiser saber mais:

http://en.wikipedia.org/wiki/Forest_kindergarten

Eu achei muito legal, imagina a criança passar a infância na floresta! Mas fico pensando como deve ser em dias frios... aiai!

Enfim, parece que o Rafa gostou da ideia!

9 de abr. de 2013

Foto do dia - 09.04.13





Ontem a Marina começou a frequentar só as aulas da classe alemã regular da idade dela. Ela não está mais na classe de estrangeiros na escola. Hoje fomos comprar cadernos novos, já que agora ela vai ter bem mais matérias... E ela ficou numa felicidade só! E eu também, estou muito orgulhosa da minha filhota inteligente e dedicada!!!

Ah, e pra quem ficou curioso pra saber como funciona o esquema de material escolar, aqui a gente só compra os cadernos, pastas, lápis, essas coisas. Os livros são da escola, a criança fica com eles durante o ano letivo e depois devolve, sem custo, o que economiza um bocado do orçamento em relação ao que se gasta de livros didáticos no Brasil. E pra manter os livros em bom estado encapamos eles com todo amor e carinho pra outra criança poder usar no ano que vem, claro!

10 de nov. de 2012

Laterne, Laterne...

Ontem foi a festa da Laterne (lanterna) das escolas aqui do bairro. Mais uma tradição da qual eu sempre ouvia falar, das músicas que até hoje eu sei cantar, mas nunca tinha vivido de verdade.

Dia 11 de novembro é dia de São Martin, que pelo que eu soube foi um soldado romano que ajudava os pobres. Diz a lenda que uma vez ele cortou seu manto ao meio e deu uma metade a um mendigo que estava morrendo de frio na neve. Depois disso ele sonhou que quem havia recebido o manto foi Jesus, que estava disfarçado de mendigo.

E a tradição de celebrar o dia de São Martin aqui na Alemanha é as crianças pequenas confeccionarem lanternas de papel e saírem à noite passeando no escuro com elas cantando músicas referentes à lanterna e a São Martin. Parece que andar com a lanterna é um ato simbólico de trazer luz ao mundo.

E lá fomos nós ontem à noite pra festa da Laterne do Rafa. Ele fez a dele na escola com as professoras, e estava muito orgulhoso.




A turma da escolinha do Rafa ia se encontrar no parque aqui do bairro (pra quem já esteve aqui é aquela praça perto do banco) às 5 e meia da tarde (que na verdade já é noite, escuro, escuro).

Chegamos lá e já tinha um bocado de gente, as crianças com suas lanternas brincando, muito legal. A professora de música estava tocando as músicas tradicionais no violão e as crianças e os pais cantando, muito lindo. Sorte que não estava chovendo, estava frio, uns 5 graus, mas tranquilo.






E o mico, será que teve? Claro que teve, quando é que a Dani aqui vai num evento novo sem pagar mico? Bom, o da vez é que eu levei uma vela pra colocar dentro da lanterna do Rafa e quando chegamos lá estava todo mundo com umas lampadinhas penduradas dentro. Só o Rafa e mais uma menina que estavam com vela de verdade. Claro, assim ninguém corre o risco da vela queimar a lanterna... Mas como é que eu ia saber que eu tinha que comprar uma lampadinha dessa? Bom, ano que vem eu já sei. De qualquer forma o Rafa nem ligou, ele se achou todo importante com a vela dentro da lanterna, e cuidou bem dela, ela voltou inteirinha pra casa.

Do parque fomos todos juntos andando até a ex-escola da Marina, passeando pela cidade cantando as músicas.






Foi muito lindo, o Rafa amou andar pela cidade à noite com a Laterne dele.

Chegando na escola tinha uma fogueira, também tradição dessa festa, e o Rafa também adorou.



Além disso tinha barracas com vinho quente (pros adultos, 1 Euro cada) e ponche quente pras crianças (de graça). E, claro, pão com salsicha.


Foi tudo muito lindo! Eu quase chorei em alguns momentos, porque sou bobona, e porque as músicas me emocionam. E por pensar que estávamos todos trazendo mais um pouco de luz ao mundo.

18 de ago. de 2012

Primeiros dias de aula - de novo

Essa semana foi tensa pra mim. Volta às aulas da Nina e do Rafa. Se fosse só a continuação do ano letivo passado (sim, aqui estamos começando um novo ano letivo, é diferente do Brasil) estava bem tranquilo, mas tivemos que tomar umas decisões quanto às escolas e tudo mudou.

Começando pelo Rafa, ele continua no mesmo Kindergarten mas com outra turma. O que acontece é que ele entrou quase no final do ano letivo, e a maioria das crianças da turma dele eram bem mais velhas que ele. E já se conheciam. E ele entrou como um sapinho de fora, ainda sem falar alemão. As crianças não davam bola pra ele, ou até provocavam ele. Tiravam os brinquedos dele, empurravam... Aí ele não gostava de ir pra escolinha, não tinha jeito. Ele já estava ficando sem chorar, e tal, mas não estava muito feliz. Aí a diretora conversou comigo e achou melhor "repetir" o Rafa. Aqui na Alemanha ele é uma criança de fim de ano letivo, como se fosse uma criança que no Brasil tivesse nascido em dezembro, então é possível repetir a criança pra ela não ser a mais nova da classe, e sim uma das mais velhas.

Então aqui no Kindergarten do Rafa todo ano as classes mudam de sala com a professora titular, e a auxiliar fica sempre na mesma sala. Como a professora titular do Rafa não era legal e ele ama a auxiliar, a ideia veio bem a calhar. Então a turma dele mudou de sala e ele ficou, agora com novos amigos, poucas crianças por enquanto, e da idade dele ou mais novas. E com a professora auxiliar querida. E ele ficou feliz da vida! Gostou da professora nova, não chorou nem no primeiro dia. De manhã ele ainda reclama que não quer ir, que quer ficar em casa comigo. Mas quando eu busco ele normalmente ele está brincando, feliz. E está até comendo e tomando água (que aqui é com gás), coisa que ele quase não fazia antes.

Já com a Marina a mudança foi mais radical. Ela mudou de escola. E a escola nova dela é em outra cidade, ela tem que ir de trem e ônibus.

Mas vamos ao começo da história. No final de maio eu conversei com a professora da Marina sobre o desenvolvimento dela. Aí ela me disse que a Marina tinha evoluído bastante, mas que o alemão dela ainda era muito pouco pra enfrentar o quinto ano (que começaria em agosto). No quinto ano as crianças começam com matérias como biologia, história, geografia, e ela tiraria notas baixas. Então eles recomendariam que ela repetisse o quarto ano pra aprender bem o alemão primeiro e poder entrar bem no quinto ano depois. Mas achamos que essa opção era ruim, pois ela poderia ficar desmotivada já que ela já tinha feito o quarto ano no Brasil e mais uns meses de quarto ano aqui. A matéria ela já sabia e bem. E ninguém merece fazer o quarto ano pro dois meses e meio.

A melhor opção segundo a professora seria colocar ela numa escola em Friedberg, cidade que fica a 12km daqui e é onde o Marcelo estuda também, Nessa escola tem uma classe especial pra crianças estrangeiras. Eles têm só alemão intensivo, e assim que ela aprender o que eles considerarem o suficiente ela vai ser colocada numa classe normal na mesma escola. O diretor lá me disse que isso vai depender do interesse e desenvolvimento dela, claro. Que pode acontecer em 6 meses, um ano, dois anos... Pode ser que ela fique um ano e daí talvez a gente tenha que repetir ela e ela comece o quinto ano. Só que tudo bem, ela repetir o quinto ano, que tem matéria que ela ainda não teve, está OK. Além do mais, a Marina também nasceu no final do ano letivo, dia 19 de junho. Então se ela repetir o ano ela ainda vai estar entre crianças da idade dela. Ela vai ser uma das mais velhas, mas não vai ser muita diferença.

Outra coisa é que muitas crianças que eram da escola dela foram pra essa escola em Friedberg também. Então elas vão juntas no trem de manhã até a escola. E a gente achou que pra Marina, que é bem esperta, ia ser mais um incentivo essa história de ser como as outras crianças, que no quinto ano tem que pegar o trem e ir pra escola mais longe (aqui as crianças normalmente mudam de escola depois do primário).

Bom, então depois de toda a explicação, vamos ao primeiro dia de aula, que foi na terça-feira. Às 9 da manhã havia uma cerimônia de recepção dos novos alunos no ginásio da escola. Fomos com ela, meu pai também foi. Foi bem legal, as crianças dos sextos anos fizeram várias apresentações de boas-vindas aos alunos novos, a diretora, os professores, os alunos maiores, todos recepcionaram eles. Tocaram música, apresentaram ginástica,cantaram, contaram histórias. Bem bonito.









Depois cada aluno foi com a professora nova pras classes e ficaram por 1 hora, enquanto os pais comeram bolo e tomaram café na biblioteca. E a Marina também foi com a classe nova dela. Na classe dela, dos estrangeiros, uma grande parte das crianças é da Bulgária. Tem um espanhol, uma menina que fala inglês, e dois que a Marina não tem nem ideia de onde são. A maioria já é adolescente, ela é a mais nova. Devem ser uns 15 alunos no total.

Por enquanto ela está gostando, tá animadíssima de ir sozinha de trem (eu fui com ela duas vezes, e ontem ela foi sozinha pela primeira vez), está se sentindo grande, importante. E disse que quer logo ficar boa em alemão pra passar pra classe normal. Está fazendo amigos na classe dela também, está se sentindo importante porque já sabe bastante alemão perto de alguns da classe dela.

Enfim, ficamos muito na dúvida, foi uma decisão difícil da gente tomar, isso de mudar ela de escola. Chegamos há pouco tempo, ela tinha acabado de se adaptar na escola aqui... Mas quase todas as crianças da classe dela iam mesmo pra outras escolas, ela ia ter uma classe nova de qualquer jeito. E a professora dela mesmo disse, que na escola aqui ela ia ficar jogada na classe, eles não tinham tempo, estrutura, pra acelerar o alemão dela. E a gente sabia que a Marina ia adorar se sentir grande. Ir com as amigas dela pra uma escola nova. Mesmo que por enquanto não fiquem na mesma classe.

Bom, então me desculpem o sumiço, mas essa semana estava tudo fervendo aqui em casa. Adaptação dos meus dois pequenos na escola, não foi fácil. Mas já passou, agora devagar a gente entra na rotina e logo está tudo normal.

Ainda bem que passou tudo isso e que foi tudo bem, melhor do que eu pensava, de novo!