Outono

Outono

19 de out de 2013

Cogumelos

Cogumelos aqui na Alemanha são um caso sério. E a época deles é agora, no outono. E o pessoal corre nas florestas catar cogumelos pra cozinhar. Mas pra isso tem que saber direitinho qual pode ser comido, pois existem muitos tipos de cogumelos por aqui. Alguns venenosos, outros não.

Hoje fomos dar um passeio por uma floresta diferente, e eu pude ver como tem cogumelos por toda parte, e quão estranhos eles podem ser...

Se vocês me permitem, aí vai uma sequência de fotos de cogumelos que eu tirei hoje (mais fotos de detalhe do Wald, mas fazer o que, né?):

11 de out de 2013

Um novo caminho


Pois é, eu resolvi seguir um novo caminho. Não, pessoal, não vamos deixar a Alemanha, ainda estamos muito felizes e (se possível) quero ficar velhinha aqui.

O que mudou foi o meu ramo profissional. Resolvi seguir um velho sonho...

Mas vamos começar do começo. Quando decidimos vir pra Alemanha eu fui checar quais seriam as minhas possibilidades de conseguir um emprego na minha área. Eu me formei em publicidade, mas sempre trabalhei como iconógrafa (uma pessoa que lida muito com fotos e direitos autorais). E o mercado alemão não parecia muito promissor. É uma profissão muito específica e havia poucos anúncios de emprego para uma vaga assim.

“Tudo bem”, pensei eu, “então vou ter que trabalhar de qualquer outra coisa”.

Durante os primeiros três meses aqui nem deu muito pra pensar nisso, já que a correria com montar a casa, adaptar as crianças na escola, achar o curso do Marcelo, resolver as burocracias e afins, foi grande. Mas logo no começo eu me cadastrei no governo como “procuradora de trabalho” e depois de um tempo eles me chamaram pra mais uma entrevista e pediram pra eu levar meu currículo. Vale ressaltar que eu só tive dois empregos na minha vida (12 anos numa empresa e 5 na outra) e que eu só mandei um currículo uma vez (pra esse último emprego). Então eu não tinha muita noção de como seria um currículo bom, ainda mais aqui na Alemanha. Mostrei o currículo pra moça da “agência governamental de empregos” e ela, claro, achou ruim. Daí ela me encaminhou pra um curso de 2 semanas pra aprender a fazer o currículo direito nos padrões alemães. Esse curso foi bem legal e daí eu tinha um CV razoável. Passei a mandar currículos pra todo tipo de vaga que eu achava que eu podia trabalhar, inclusive alguns para iconografia. Mandei pra assistente de escritório, professora de inglês, recepcionista, tudo o que tinha a ver com inglês, etc. Eu fiz uma entrevista pra iconógrafa na agência EFE, não fui escolhida. Essa vaga ia ter sido legal! Fiz uma entrevista pra recepcionista de um banco (precisava saber falar inglês) e o sujeito disse na minha cara “como é que você quer ser recepcionista se não sabe falar alemão direito?”. Foi duro...

Também fiz uma entrevista pra trabalhar em call center que precisava de português e inglês, eles ficaram me enrolando, diziam que iam me contratar, e tal, depois sei lá o que aconteceu não se manifestaram mais. Mandei currículo pro aeroporto pra trabalhar como essas moças de check-in, e eles me ligaram empolgados, mas precisava já estar com a documentação escolar reconhecida aqui na Alemanha e a minha ainda não estava (foi um processo longo). Perdi essa vaga também.

Daí há um ano mais ou menos eu fui orientada a fazer um outro curso, dessa vez um de recolocação no mercado de trabalho, com duração de 5 meses. E foi nesse curso que eu comecei a ver caminhos se clareando. O “professor” por assim dizer, era super engajado e me ajudou pra caramba, acelerou o processo do reconhecimento dos meus documentos, me deu a maior força pra não ir trabalhar de qualquer coisa. Ele achava desperdício jogar fora 17 anos de experiência. Tivemos palestras, e numa das palestras é que eu comecei a acreditar no meu sonho antigo, ser professora ou educadora, estudar pedagogia. A Alemanha está com uma defasagem grande no número de educadoras, porque é uma profissão que precisa de 5 anos de estudo (2 anos pra ser assistente social, mais dois anos pra pedagogia e um ano de estágio) pra não ganhar um salário grande coisa (pra padrões alemães). Além disso, em 2013 entrou em vigor uma lei que obriga o governo a oferecer vagas pras crianças a partir de um ano em creches (o que antes só era a partir de 3 anos) e falta gente pra suprir esse buraco. Então eles estão realmente caçando educadoras. Inclusive entre pessoas que já estão há muito tempo desempregadas. E daí eu pensei, por que não tentar? Pra quem já tem uma profissão os dois primeiros anos de assistência social poderiam ser descartados. Mas o meu “professor” era contra.

Durante o curso eu tinha que conseguir dois estágios de um mês cada um (o primeiro foi em dezembro naquele jornal das amigas simpáticas)... Pro meu segundo estágio eu já tinha me acertado com uma empresa de marketing numa empresa aqui perto e comecei no dia 7 de janeiro. Era uma empresa muito doida, as pessoas podiam levar os cachorros e lá “trabalhavam” 4 deles, hehe. Mas a princípio parecia legal. No dia seguinte recebi uma ligação de uma empresa de trabalhos temporários dizendo que eu havia sido aprovada numa entrevista (feita ainda em 2012) pra ser recepcionista da Levi´s em Frankfurt. Fiquei feliz, eu finalmente ia ter um trabalho. Comecei no dia seguinte. Fiquei lá por 5 dias e desisti. Primeiro o horário era meio esdrúxulo, eu tinha que estar lá às 7 em ponto, e pra isso eu tinha que sair de casa às 5 da manhã. E tinha que trabalhar por 11 horas seguidas (até as 18) sem horário de almoço. Não ia ser todo dia, ia ser meio que duas vezes por semana e nas férias da recepcionista que eles já tinham. Que era uma grossa! Caramba, ela me tratou tão mal! E o salário não era grande coisa. Nervosa, no quinto dia resolvi chutar o balde e pedi pra sair. Eu ainda nem havia assinado o contrato de trabalho (a tal empresa, que também era meia boca, ainda não havia mandado) e voltei pro curso, mas não tive cara de voltar pro meu estágio dos cachorros. Eu sei que no dia em que eu avisei que eu não ia continuar no trabalho era cedo ainda, e eu fiquei andando meio perdida por Frankfurt, me sentindo sem saída, mega desanimada, pela primeira vez. E resolvi passar na escola de pedagogia pra dar uma perguntada, já que eu já estava em Frankfurt mesmo. Cheguei lá e descobri que naquele dia ia ter uma palestra pra explicar sobre o curso e eu fiquei esperando pra assistir. Descobri que eu poderia fazer os 3 anos ao invés de 5, que eu poderia enviar a minha documentação escolar reconhecida (que ainda não estava pronta) até agosto, quando começariam as aulas. E o mais legal, eles têm algumas classes destinadas a pessoas que querem trabalhar e estudar ao mesmo tempo, assim eu já poderia ganhar dinheiro. A única coisa que eu precisava era fazer 6 meses de estágio numa escolinha antes de agosto. Saí de lá animada (mas ainda bem insegura), e em casa o Marcelo me deu a maior força. Me disse palavras mágicas, que se a gente acreditar no sonho da gente ele acontece. E eu resolvi tentar. Conversei com a diretora da escolinha do Rafa e ela também achou ótima ideia, disse que ia falar com a diretora da outra escolinha do bairro pra ver se ela tinha uma vaga pra mim. Liguei nessa escolinha no dia seguinte e perguntei se ela podia me aceitar, nem que fosse pra limpar alguns narizes escorrendo. Eu precisava do estágio pelo menos por um mês, pra finalizar o meu curso, e seria uma ótima chance de eu sentir se era isso mesmo que eu queria. Comecei lá no final de janeiro em período integral.

E amei! Nesse estágio eu tive certeza de que era isso mesmo que eu queria, mudar de profissão e ser educadora. Mas ainda tinham outros empecilhos, eu tinha primeiro que ser aprovada na escola de pedagogia, e eu tinha medo que o meu alemão não fosse suficiente. Além disso, o governo precisava aceitar complementar a nossa renda até eu me formar, e isso foi demorado... Em abril recebi resposta da escola de que eu havia sido aprovada, e eu nem acreditei! Fiquei muito feliz! E fui ficando no estágio...

Mas ainda faltava a tal resposta do governo, e isso me preocupava, o sujeito lá não me atendia, não respondia meus telefonemas. Foi já quase em julho que ele disse que se eu tivesse um contrato de trabalho estaria tudo certo, eles complementariam o que faltava em termos de dinheiro (ah, e a escola também é de graça). Só que daí veio outro empecilho, a diretora da escolinha onde eu estava me deu a notícia de que não ia poder me contratar. Na verdade funciona assim, eu tenho que ir pra escola de quarta a sexta e trabalhar por 16 horas semanais em um Kindergarten (às segundas e terças). Se eu não tivesse trabalho eu não poderia fazer o curso. E a diretora disse que a prefeitura da cidade onde eu moro tinha entendido que eu ia ganhar como estagiária, e não já como funcionária. Ela ficou chateada com isso, pois ela tinha me garantido que eu não precisava procurar uma vaga pois eles ficariam comigo. Pois daí eu me ferrei, quem tinha que procurar uma vaga já havia procurado e quem tinha que contratar já havia contratado. Faltava menos de um mês pras férias de verão, quando quase todas as escolinhas fecham por algumas semanas. E eu me pus a mandar currículo. E ligar. E não achei nada até as férias. Durante as férias, então, nem pensar.
Eu sei que dia 21 de agosto comecei as aulas sem ter um trabalho, e eu precisava apresentar o contrato de trabalho até dia 1 de setembro pra poder fazer o curso. Mas no dia 22 eu tinha uma entrevista marcada. E deu certo, na sexta recebi a confirmação de que fui aceita na escolinha e comecei a trabalhar na segunda. E pude continuar o curso. E estou amando tudo!!! As matérias, os professores, os colegas. E também estou adorando o trabalho novo.

E finalmente, desde que eu cheguei na Alemanha, sinto que tenho um caminho. Um caminho que eu sempre quis trilhar, mas não achava possível. Demorou mais do que eu pensava, foi duro, cheio de incertezas, mas finalmente sei o que eu quero fazer e onde eu quero chegar. Me sinto feliz, finalmente vou ter uma profissão que eu sempre quis. Na qual eu posso trabalhar com tinta, cola, música, massinha, sorriso, areia, carinho. Arte. Arteiros. É nas crianças que está o futuro da humanidade, e nesse novo trabalho posso ajudar a construir um futuro melhor pra todos. Claro que eu já sei das dificuldades, que eu não posso resolver todos os problemas do mundo, nem de todas as crianças, que vou enfrentar pais neuróticos, pais ausentes, colegas folgadas, dias de gritaria, stress. E muito mais. Mas eu me sinto preparada pra enfrentar tudo isso!

E mais feliz ainda eu me sinto quando lembro que cada dificuldade que eu passei, cada não que recebi, só me guiavam pro caminho certo.

"Se você empilhar as pedras que colocam no seu caminho é possível construir uma escada para o céu.” (Frase que eu não sei de quem é, mas está num pôster dentro do banheiro da escolinha onde estou trabalhando)

4 de out de 2013

Detalhes do outono no Wald

Ontem foi feriado aqui na Alemanha (dia que caiu o muro) e de manha fomos ao Wald dar uma volta pra ver como anda o outono.

Segue uma série de imagens de detalhe do outono por aqui.


Bom outono! (ou primavera, depende)