Outono

Outono

27 de fev de 2012

O que se passa na minha cabeça 10 dias antes de mudar de país

- Quanta coisa a resolver, será que vai dar tempo?

- O shampoo do Rafa está acabando, espero que dure até o dia da viagem, não vou comprar outro.

- Também não vou comprar outro protetor solar, veneno de mosquito de tomada, condicionador pra Nina, cotonete...

- Se bem que cotonete não pesa, vou comprar sim, vai que na Alemanha não tem/é diferente/custa caro?

- Não, não vou perguntar pro meu pai sobre o cotonete (hahaha pirada).

- Será que a Nina tem roupa pra usar no dia da viagem? Ela ainda tem alguma calça comprida? Faz tanto tempo que ela não veste uma... Precisamos provar.

- Será que no avião a aeromoça pode colocar água quente na mamadeira de leite do Rafa? Como ele vai mamar?

- Puts, preciso lavar meu All Star antes da viagem, porque na Alemanha não tem tanque...

- Aliás, preciso ver o que eu preciso lavar de roupa antes de ir...

- Nem vou mais colocar crédito no celular, não vou chegar a gastar. Aliás, será que levo meu celular?

- Em quantos carros temos que ir pro aeroporto pra levarem a gente? São 5 pessoas, umas 10 malas mais toda a bagagem de mão...

- Será que vai estar calor aqui no dia da viagem?

- Será que vai estar mega frio quando chegarmos lá?

- O que eu levo de presente pros meus sobrinhos?

- Quero tanto levar meus materiais de artesanato (tintas, pincéis, papéis,
tecidinhos), será que vão caber na mala?

- Os 501 esmaltes da Marina podem ir na mala de mão, como ela quer, ou devem ir na mala despachada?

- Não posso esquecer de deixar minha calça na costureira pra ainda fazer a barra.

- ...


Bom, esse é o tipo de coisa que anda fervilhando na minha mente esses dias. Então por favor, não estranhem se eu me esquecer de algo, de alguém, ou se eu fizer como ontem, que ao invés de colocar a roupa suja no cesto de roupa suja a joguei no lixo.

Eu tô confusinha, mas isso passa.

24 de fev de 2012

E a escola, como fica?

Na nossa difícil decisão de nos mudarmos pra Alemanha o que mais me preocupou foi a dificuldade que o Marcelo e a Nina podem vir a enfrentar pra aprender o alemão, já que de nós 4 só eu falo alemão (e super enferrujado).

Todo mundo fala que pras crianças vai ser fácil, tranquilo, que criança pega super rápido, e eu até que acredito, mas quero ver pra crer. O Rafa sim, sem dúvida, rapidinho vai estar até brigando com os coleguinhas do Kindergarten em alemão e logo logo vai estar com sotaque e se recusando a falar português, já pensou? Mas ele tem só 2 anos e meio.

Já pra Nina, que tem 9 anos, a coisa toda é mais complicada. Assim que acertamos que moraríamos na Alemanha pensamos que seria bom a gente morar pertinho da minha prima pras crianças irem à mesma escola dos primos que falam português e que tudo seria tranquilo. Mas daí a minha prima (querida, santa, que tá dando uma super força) foi na escola do bairro se informar como seria a adaptação da Marina, e ficamos sabendo que se fossemos morar lá perto dela a Marina teria que primeiro frequentar uma escola de estrangeiros por 1 ano mais perto do centro de Frankfurt. E que quando ela saísse dessa escola pra uma outra alemã ela teria que ir longe de casa, pois a escola do bairro lá só vai até o quarto ano (que a Nina já completou no final de 2011). Aí ela teria que pegar ônibus e metrô pra ir e voltar da escola. A filha da minha prima que é pouca coisa mais velha que a Nina vai fazer esse trajeto, e isso é normal lá, a criançada de 10, 11 anos já andar de transporte público sozinha. Bom, da pra entender, já que elas começam a andar sozinhas pra escola com 4, 5 anos...

Então tá, na minha cabeça estava tudo acertado, a Nina frequentaria essa escola por 1 ano pra aprender o que faltou, a língua, e se adaptar. Daí ela entraria numa escola alemã. Mas daí meu pai deu a sugestão da gente ir morar mais perto dele, mais longe de Frankfurt, num lugar pertinho de uma escola alemã. Ele conversou com o diretor da escola e ele explicou que como não tem escola de estrangeiros por perto a Nina poderia frequentar a escola lá. É uma escola boa, até que grandinha, e vai até o décimo ano. Da casa que a gente alugou são duas quadras até a escola.

E aí surgiu a dúvida: o que seria melhor pra Marina, frequentar a escola de estrangeiros e se adaptar aos poucos ou entrar de cabeça numa escola alemã? Se ela frequentasse a escola de estrangeiros ela iria repetir o ano, mas isso pra mim não era um problema. Mas daí a gente ficou pensando que na escola de estrangeiros só vai ter crianças estrangeiras e que talvez o ensino seja meio devagar, que numa escola alemã ela já entraria no clima mais rápido, já faria amigos que continuariam com ela depois, etc. Além disso, morar num lugar onde a escola dela é a 2 quadras, a escolinha do Rafa a meia quadra e o curso de alemão do Marcelo a 20 minutos seria bem mais fácil pros três do que ficar pegando ônibus, trem, etc. pra cada um chegar na sua escola. Ainda mais nesse começo.

Então acabamos decidindo ir morar em Rosbach vor der Höhe, onde tem a escola boa e fica a 23km do centro de Frankfurt. É uma cidade menor, tranquila, onde as crianças podem crescer com liberdade total. E era isso que a gente queria ter na Alemanha.

No dia seguinte à decisão de alugar essa casa minha prima me ligou dizendo que estava vindo da casa de uma amiga colombiana que também havia trazido duas filhas da Colômbia que não falavam alemão, uma tinha 9 anos e a outra 11 ou 12. Na época eles optaram por colocar a filha mais velha na escola de estrangeiros e a mais nova direto na escola alemã. E que eles recomendam fortemente que a gente coloque a Nina na escola alemã direto. Que a filha mais velha deles começou tudo do zero, e bem devagar, porque a classe tinha alunos poloneses, turcos, russos, que não sabiam nada de alemão então a aprendizagem foi muito lenta. Já a pequena se adaptou numa boa e aprendeu o alemão muito mais rápido. Parece que nem precisou repetir o ano.

Então ao que tudo indica acabamos tomando a decisão certa. Mas só vamos saber de verdade como vai ser tudo isso quando a gente estiver lá. Então a Nina vai entrar no quarto ano lá em março e só assistir as aulas, sem valer nota, até o final do ano letivo que é em julho. Ela está meio ano adiantada em relação ao ano letivo da Alemanha. Daí a ideia do diretor é deixar ela seguir pro quinto ano com o resto da turma, e se ela não se adaptar e tirar notas ruins até o final do quinto ano aí sim ela repetiria. Ela já está ciente disso, e parece que entendeu que se ela repetir não vai ter problema, que é assim mesmo. Ela está ansiosa com isso, claro, mas eu espero que chegando lá ela veja que é mais fácil do que ela pensa. Mesmo porque ela está há 3 meses fazendo aulas particulares diárias de alemão com a minha avó e ontem elas contaram quantas palavras ela já sabe e são 350. Já é um bocado pra quem não sabia nada!

Tenho muita fé de que vai dar tudo certo, e confio na minha filhota. Depois deixo vocês saberem o que deu dessa história!

Beijos!

23 de fev de 2012

Treze dias

E agora só faltam menos de duas semanas. Treze dias, pra ser mais exata.

E a ansiedade quase me mata.

Já demoro pra dormir e acordo antes do despertador tocar. Já sinto saudades de tudo e de todos. Não consigo me concentrar. Não paro de fazer listas do que falta, pra não deixar escapar nada. Me preocupo se vai dar tempo de resolver tanta coisa pendente. Tenho umas 3 coisas por dia pra riscar da lista. Marcados na agenda. Quem me conhece sabe que eu nunca tive agenda. Hoje eu não sei o que seria de mim sem ela. É tanta coisa pra pensar, organizar, resolver, que socorro!

E estou chegando à conclusão de que talvez não dê pra resolver tudo como eu queria. E que eu não posso ficar tão encanada senão não vou saber apreciar a beleza da mudança. Minha amiga Sandra que me disse isso hoje, pra eu não ficar tão preocupada a ponto de deixar de enxergar a grandeza disso tudo.

Juro que vou tentar relaxar. Sem deixar de dar uma olhadinha na agenda de vez em quando, claro!

19 de fev de 2012

Nossa casa na Alemanha

Antes de vir pro Brasil no começo de fevereiro meu pai já conseguiu alugar uma casa, apartamento, ou como chamam lá na Alemanha, Wohnung, pra gente morar.

Eu não sei bem como definir o nome pois aqui no Brasil não temos quase esse tipo de moradia. A nossa casa é um exemplo bem típico do tipo de moradia que as pessoas têm na Alemanha. É uma casa grande que normalmente tem 2 ou 3 andares, e em cada andar mora uma família. Não é um prédio de apartamentos. Mas também não é uma casa como as que temos aqui no Brasil. É uma Wohnung.

No nosso caso a casa tem 3 andares, e vamos morar no térreo. No primeiro andar, em cima da gente, mora um casal e no segundo andar mora uma senhora (segundo informações do proprietário da casa pro meu pai). A entrada da casa é a mesma pra todo mundo. Quando abrimos a porta principal chegamos a um hall, onde tem a porta da nossa Wohnung e as escadas que sobem pros andares de cima e descem pros porões. Cada Wohnung tem direito a um quarto no porão, pra poder guardar tranqueiras, colocar roupa pra secar, etc. A garagem da casa é compartilhada por todos, é onde o pessoal guarda bicicletas, por exemplo. Nessa garagem tem um carro coberto com uma capa que é de alguém (do proprietário? do casal? da velhinha? quem saberá...).

A nossa Wohnung tem dois banheiros, mas só uma privada. Estranho, né? Mas bem normal na Alemanha, parece. Tem o banheiro grande, onde tem o chuveiro, uma pia e só. Do lado da pia tem as entradas de água pra instalar a máquina de lavar roupas. Sim, minha gente, na Alemanha não existe lavanderia, área de serviço. Não existe tanque de lavar roupa. Eu ainda não sei como vou fazer pra lavar meu All Star! Na pia do banheiro? No quintalzinho dentro de um balde? Na máquina de lavar roupa? Depois eu conto pra vocês! E tem também o lavabo, onde ficam a privada e uma pia.

A janela do banheiro e do quarto pequeno têm vista direta pro quintal do vizinho. Outra coisa estranha! Acho que eu nunca vi isso aqui no Brasil. Mas a nossa Wohnung tem 140 anos, e nessa época acho que as pessoas não se preocupavam com isso, hehe!

Por fim, a Wohnung tem 2 quartos, um pequeno e outro grande, e uma sala de dois ambientes. Talvez a gente feche um dos ambientes da sala mais pra frente pra fazer um terceiro quarto. O tamanho total da Wohnung é de 90 metros quadrados, bem grandinha! E ela está toda com a pintura antiga. O acordo do meu pai com o proprietário é de que a gente pinta a casa quando entrar e não precisa pintar quando sair. Então a nossa primeira semana na Alemanha com certeza será cercada de pincéis, tintas, etc. Mas pelo menos já teremos onde morar, porque se a gente fosse sem nada alugado era arriscado ficar uns meses procurando, e isso a gente não queria.

Bom, mas vocês já devem estar curiosos, não? Então aí estão algumas fotos pra vocês já conhecerem nosso futuro lar alemão. O crédito das fotos é do meu pai, claro!


Vista da rua


Entrada da casa


Hall das escadas e nossa porta de entrada


Sala vista da cozinha


Sala vista de outro ângulo


Quarto pequeno


Cozinha


Cozinha vista de outro ângulo


Chuveiro


Banheiro do chuveiro


Lavabo


Quintalzinho


Quarto grande com saída para o quintalzinho


Vista da janela do quarto pequeno pro quintal do vizinho (que está feinho por causa do inverno)



Não vejo a hora de dizer "Hallo lar novo"!

16 de fev de 2012

Check-up pré viagem

Pessoal, aqui vai uma dica preciosa pra quem pensa em se mudar de cidade, país, como a gente. Antes de viajar, faça um check-up de saúde.

MAS COMECE CEDO! BEM CEDO!

Começamos nosso check-up no começo de dezembro. E acho que não vou conseguir resolver tudo até o dia da viagem. 

Somos 4 pessoas fazendo check-up, inclusive de dentista. Mas como fazia tempo que não íamos aos médicos, tinha bastante coisa pra fazer. Eu achei que seria simples, mas agora me dou conta de que eu devia ter ido atrás disso tudo bem antes, já que quando a gente faz um check-up podem aparecer coisas que não imaginávamos. Como:

- No começo de fevereiro eu tirei uma pinta que a dermatologista disse que provavelmente era um câncer. Dos mais brandos, mas era. O resultado fica pronto na semana da viagem. Aí ela vai ter que me mandar um e-mail dando o resultado. Ela disse que se complicar ela diz o que fazer, mas que era pra eu não me preocupar, pois ela tirou bastante carne em volta da tal pinta. 

- Levamos as crianças a uma dermatologista também, e tem uma unha do Rafa que parece ter micose, tivemos que ir fazer um exame de raspagem e o resultado também demora uns 40 dias pra ficar pronto e saber o que era. Como vamos viajar antes disso, a doutora nos receitou um esmalte pra ir passando na unha dele, disse pra pegarmos o resultado por internet mesmo e mandar por e-mail pra ela só pra ela confirmar que o tratamento é esse. Se for algo diferente do que ela estava pensando ela nos diz o que fazer.

- Eu tenho um dente do siso pra extrair. Fui à dentista do plano, ela mesma não tira siso, mas outra moça lá da clínica tira, esperei umas duas semanas pra conseguir falar com ela. Quando finalmente consegui, ela me pediu pra tirar uma radiografia panorâmica e levar pra ela avaliar se ela tira ou não (se for complicado ela vai me indicar outra clínica). Na semana passada fui tentar tirar a panorâmica, quando cheguei lá o pedido tinha que ser liberado pela dentista, e não havia sido. No dia seguinte de tarde consegui liberar, no outro voltei e fiz a panorâmica. Ela ficava pronta na terça passada, busquei na quarta, agora preciso levar a tal radiografia na dentista hoje. Bom, enfim, tô achando que o siso vai comigo pra Alemanha, hehe!

Isso foi só um exemplo da correria que está sendo essa parte médica dos preparativos da mudança. Nesse meio tempo aconteceram muitas consultas, exames, liberações, retornos... E três meses (com férias inclusas) não foram suficientes!

Que coisa!

15 de fev de 2012

Três semanas

Só faltam três semanas pra gente ir embora, e só mais duas de trabalho!

Uau!

9 de fev de 2012

Texto sobre mudanças

"Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já tem a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos."

Atribuído a Fernando Pessoa, mas segundo o Wikiquote o verdadeiro autor desse texto é Fernando Teixeira de Andrade.

7 de fev de 2012

A história do nome do blog

Puxa, quando pensei em escrever esse blog ele começou se chamando “Uma vida nova pra 4”. Depois pensei em chamá-lo “Duas primaveras e dois verões” pois vamos embarcar no final do verão aqui, assim chegaremos lá no fim do inverno e começo de primavera e depois teremos mais um verão pela frente. Ou seja, vamos passar 1 ano sem outono e inverno, hihi! Além disso, eu considero que eu e o Marcelo estamos no verão das nossas vidas e as crianças na primavera, então somos basicamente duas primaveras e dois verões (afe, poético, hein?). Mas daí me deu medo de quando viesse o outono e o inverno, o que provavelmente vai coincidir com a época difícil na Alemanha, de saudades do Brasil, então achei melhor evitar essa comparação.

Pensei ainda em chamá-lo de “Olá Alemolândia”, minha prima Sabrina que chama a Alemanha de Alemolândia e eu acho engraçado, mas também acho que soa meio tirando sarro, meio bobo, e a última coisa que eu quero é ofender o meu futuro país, onde vou morar, trabalhar e criar meus filhos. Então desisti desse também.

Pensei que devia ser um nome fácil, gostoso, e que continue atual mesmo daqui a uns 10 anos (olha eu cheia de esperança e planos pro blog). Tem que ser um nome simpático, convidativo, feliz. Então decidi, Hallo vida nova!!!!, sendo que "Hallo" quer dizer “olá” em alemão. Hallo Alemanha, Hallo novos amigos, Hallo novas experiências, Hallo novo trabalho, Hallo, vida nova!E os quatro pontos de exclamação representam nós 4, eu, Marcelo, Marina e Rafa!

Finalizando, Hallo blog novo! Hallo!!!!

6 de fev de 2012

As malas chegaram

Ontem, domingo, meu pai chegou da Alemanha.

E trouxe algumas malas pra emprestar pra gente. Podemos levar duas malas cada um, já são 8 malas. Meu pai, que vai junto com a gente pra Alemanha dia 7 de março, também pode emprestar o "peso" de duas malas dele, já que ele pode levar três. Preciso de 10 malas! Será que cabe tudo em 10 malas? Ou será que nem vamos ter tanto pra encher 10 malas? Depois eu conto pra vocês (com fotos)!

Fomos buscar meu pai no aeroporto com as crianças, pra elas irem "sentindo o clima". Eles nunca viajaram de avião. A Marina está ansiosa! Chegamos um pouco mais cedo e fomos lá na janela ver os aviões pousando e decolando, manobrando e estacionando na nossa frente. O Rafa ficou encantado com os tratores que levam as malas, o outro levando uma escada... E adorou ver que quando o trem de pouso bate na pista sai fumaça dos pneus. Já a Marina disse que o mais legal foi ver o avião decolando. Acho que ela ficou se imaginando dentro de um desses daqui a 1 mês. Eu também me emocionei, a garganta apertou! Também me imaginei dentro de um desses daqui a 1 mês, partindo pra uma nova vida!

4 de fev de 2012

A história da decisão

Quem pensa que tomar a decisão de mudar de país com dois filhos debaixo do braço é fácil se engana. O que a gente mais ouve é “Ah, mas se fosse comigo eu iria hoje mesmo!”, “Ah, Alemanha é primeiro mundo, bom demais, se fosse comigo eu já tinha ido!”.

Mas com certeza tomar essa decisão não é tão fácil não. Preciso contar a vocês que o texto de abertura do blog foi escrito no dia 5 de agosto de 2010. Nesse dia eu comecei a escrever um “diário” sobre a minha (até então só minha) vontade de me mudar pra uma vida diferente. Era um período difícil na nossa vida, eu estava cansada e me sentindo sem saída. Conversei com o Marcelo (oi, meu marido, pra quem não sabe) e ele até que aceitou a idéia, mas com muito medo, claro. Depois as coisas foram se ajeitando, tudo se tranqüilizou e acabamos ficando como estávamos, mas dentro de mim a vontade de ir embora só crescia. Continuei escrevendo esporadicamente sobre essa vontade, vejam alguns trechos:

5 de agosto de 2010 - ... Ainda estamos vendo se é possível conseguir um empréstimo num banco, ou coisa assim, mas a situação está se complicando...

No meio desse turbilhão todo eu comentei com meu pai sobre meu desejo de ir morar na Alemanha. Meu pai mora lá e aqui no Brasil, e meu irmão e uma prima moram lá já há algum tempo. E meu pai se animou, ele acha que é a melhor solução, que seria bem melhor pras crianças. O Marcelo não quer muito, e eu entendo, pois ele tem primeiro que aprender o alemão, que não é uma língua fácil, pra depois ver do que ele poderia trabalhar lá, ele tem medo da adaptação, essas coisas. Mas ele não descartou a idéia. E na noite passada ele até sonhou que a gente estava morando lá...


29 de setembro de 2010 - ... Os planos da Alemanha estiveram bem frios. Conversando por e-mail com a minha cunhada que mora lá, ela me alertou de toda a dificuldade que seria se fossemos pra lá já. Precisaríamos ir quando o Rafa tiver 3 anos. Antes disso complica...

17 de fevereiro de 2011 - ... O sonho não morreu. Continuo pirada pela Alemanha. Mas não sei dizer sobre o Má. Em janeiro meus tios, que tinham ido recentemente conhecer a Alemanha, foram em casa. O Má puxou papo com eles, e eles disseram que credo, nunca iam morar lá. Que as pessoas são muuuuuito certinhas e chatas. Aí ele desanimou. Disse pra mim que se até meus tios, que falam alemão, não querem ir pra lá, imagina ele!...

1 de março de 2011 - ... Eu quero ir pra Alemanha, já queria estar ensinando alemão pro Má e pra Nina, mas e o medo de falar com o Má e ouvir um não definitivo?
Enquanto eu ainda puder sonhar fico mais feliz. O dia em que o não for definitivo acho que posso ficar deprimida, sei lá.
Não agüento mais ter sempre contas atrasadas, pegar ônibus lotado, andar na chuva com guarda-chuva escangalhado porque não tenho grana pra comprar outro, ter que ficar até tarde fazendo bolo pra vender no trabalho e ganhar uns míseros trocos... Não agüento mais não ter a minha casa, não agüento mais me preocupar com o futuro dos meus filhos, o que será deles? Não agüento mais tudo isso...


24 de outubro de 2011 - ...Nossa, tem tanta coisa acontecendo que eu estou até tonta! O ponto da tomada de decisão está muito próximo! Ontem a minha prima que mora na Alemanha há anos esteve em casa. Conversei um bocado com ela, e basicamente fiquei na mesma, pois deu pra ver que morar lá seria bom mas bem difícil. Meu pai já tinha me falado isso, que seriam uns 2 ou 3 anos de grande dificuldade pra depois viver bem melhor do que hoje. E hoje mais tarde vamos eu e o Marcelo conversar com ele e se tudo der certo, tomar uma decisão definitiva sobre o nosso futuro. Vamos ver!...

08 de novembro de 2011 - ...E tá tudo resolvido e se encaminhando. Frio na barriga. Enfim, conversamos com meu pai e foi muito legal. Ele ofereceu a maior ajuda, inclusive financeira, e decidimos ir mesmo embora do Brasil! Uhuuuuuu!...

18 de novembro de 2011 - ...Nem acredito! Vou com calma agora escrever sobre o que anda acontecendo! Enfim, na véspera do dia das bruxas conversamos de novo com meu pai em casa e ficou decidido, o Marcelo concordou, que vamos embora pra Alemanha. A ideia inicial era que eu fosse com as crianças no começo de março e o Má iria depois, quando a gente já tivesse onde morar lá. Mas estamos tentando ver se não é possível a gente já ir com algo alugado e o Má ir junto de uma vez. Seria bem melhor, começar a vida nova todos os 4 juntos.
No feriado de 2 de novembro contamos pra Nina sobre a mudança. Primeiro ela chorou, depois começou a perguntar sobre a vida lá e se animou. E tem momentos de altos e baixos. Tem horas em que ela chora, e horas em que ela quer ir logo. Realmente, eu penso que se a gente está ansioso, imagina ela! E ontem, dia 17, ela não agüentou, me contou que ela está na verdade se segurando pra que eu não perceba que ela está com medo e triste pela mudança. Que ela tem tido pesadelos com a escola nova, com os colegas novos, com o avião... Que ela chora um pouquinho todas as noites antes de dormir. Tadinha! E se abriu, choramos juntas, eu tentei confortar ela, mostrar que vai ser bom, que ela precisa enfrentar esses medos. Expliquei que ela sempre estudou na mesma escola, fez cursos extra curriculares lá na escola com as amigas dela, e que isso faz com que seja mais difícil pra ela. Ela nunca teve que ser “a aluna nova”, “a diferente”, e agora vai ter que ser tudo isso num país diferente, onde se fala uma língua que ela não entende. Mas eu expliquei pra ela que é bom mudar, justamente pra ela já ir se acostumando com isso, pois a gente tem que enfrentar muitas situações difíceis na vida. Entrar na faculdade, onde só tem gente nova, entrar num emprego e ser “a diferente”, são tantas coisas...
Enfim, conversamos muito e parece que ela se acalmou um pouco. Hoje falei com ela e ela me disse que está bem melhor. Acho que o que estava mais agoniando ela foi o fato dela tentar se mostrar contente pra não me deixar triste e preocupada. Estava muito difícil pra ela! Agora que ela se abriu parece que aliviou.
Mesmo assim, estou pensando em dar pra ela um floral pra ver se ajuda nesse processo todo que vem pela frente. Vamos ver!
Bom, mas esses dias também eu conversei com a minha prima e ela disse que quer ver se ela e meu pai conseguem um apartamento pertinho da casa dela, assim a Marina freqüentaria a mesma escola dos primos (que falam português, o que ajudaria) e eles poderiam viver juntos! Com certeza seria muito bom pra ela. Espero que dê certo!
E eu já estou com uma lista de 20 itens pra resolver antes da viagem. Título de eleitor, passaportes, casamento, check-ups de saúde e dentista, visto, vender o carro, vender nossas coisas, entre outros. Eba! O negócio é organizar pra não se perder!
E devagar estamos contando pros parentes e amigos, e alguns nos encorajam, outros nem tanto...



Bom, esses foram alguns trechos do meu "diário do sonho", se é que eu posso chamar assim. Nem acredito que esse sonho está se tornando realidade. E a mensagem que fica é, claro, nunca desistam dos seus sonhos!

3 de fev de 2012

Uma vida nova pra 4!

Estamos cansados. Cansados de remar contra a maré. De lutar, lutar e nunca sair do lugar. De ter a filha numa boa escola mas só porque conseguimos uma bolsa de estudos. De morar em uma casa que não é nossa, de viver uma vida que não é nossa.

De viver num país que nos oferece tão poucas oportunidades... Onde todos estão acostumados a tudo o que é ruim.

O ônibus está lotado? - “Espreme mais um pouquinho que cabe... É assim mesmo!”
O trânsito está ruim? - “Ih, e a tendência é só piorar!”
A comida está cada vez mais cara? - “Normal.”
A educação pública é péssima? - “É, o negócio é ter dinheiro pra colocar o filho em uma escola particular, ou agüentar isso daí mesmo...”
A violência cresce a cada dia? - “O mundo está perdido!”
O governante é corrupto? - “Ah, ele rouba mas faz!”
A saúde pública é uma merda? - “Sempre foi assim!”

E as pessoas falam isso com um sorriso no rosto, acho que felizes porque você também está reclamando, e pensam “que bom, que eu não sou o único f**ido nessa vida...”! Estamos todos tão acostumados a tudo isso, pobreza, violência, corrupção, falta de emprego, de oportunidades, que já virou “normal”. O povo reclama, mas pra si mesmo apenas. Ninguém cobra dos governantes, ninguém age corretamente, todos acham que "o mundo é dos espertos”. Difícil mudar esse pensamento brasileiro!

Então mudamos nós! Pelo bem dos nossos filhos decidimos por uma mudança radical e arriscada nas nossas vidas, mas que temos fé que será melhor para nós 4!

Se você quer acompanhar essa aventura desde o começo é só nos acompanhar nesse blog. Ele é destinado a mostrar pra vocês todos os passos da gente em busca desse novo sonho. A preparação, a mudança, a adaptação a um novo país...

Com fé, muita luta e a torcida de vocês vai dar tudo certo!