Numa noite de domingo começa a nevar. Vamos dormir inocentemente achando tudo lindo! De manhã eu acordo a Marina pra ir pra escola e ofereço de levar ela até o trem, porque tava frio, tadinha. Como sempre tomamos café, fizemos xixi, escovamos os dentes, saímos e nos deparamos com algo como isso...

AAAAHHHHHHH, que coisa! Calma, é só neve, sai num instante, é só passar a vassourinha, que está no carro. Mas pra isso temos que abrir o carro. Está -2 graus e você tem que achar a fechadura. Você saiu de casa sem luvas porque vai de carro, quentinho. Então a primeira neve, a da fechadura, você tira com a mão mesmo e ela já começa a latejar. Aí você acha a fechadura e tenta colocar a chave dentro. Não rola, a fechadura congelou e a chave não entra. Aí você olha em volta e vê os vizinhos (que geralmente saem mais cedo que você) tentando quebrar o gelo em volta do carro deles. Você tira a neve de um pedaço do para-brisa e vê que por baixo da neve fofa tem gelo. Que que é isso! Como a chave não entra na fechadura de jeito nenhum peço pra Marina ir correndo buscar a chave do outro carro (que por sorte estava emprestado do meu pai). E claro que esqueço de pedir pra ela trazer uma luva pra eu continuar o processo. São 3 vizinhos e seus carros e eu e a Marina na rua, todos xingando e confraternizando. Beleza, a chave desse carro entrou na fechadura e abriu. Mas a porta não abre... Força, força, crac, a porta abriu e tem uma camada de gelo mesmo, não neve, em volta da porta. Nessas a Marina já está perdendo o trem e pra ir a pé não da tempo mesmo... OK, vamos continuar, cadê o raio da vassourinha? Puts, não está dentro do carro, só pode estar no porta-malas. Toca ir lá atrás, tirar a neve com a mão que eu já não sinto mais até achar o treco de abrir o porta-malas. Puxa, puxa, força, não abre. O gelo formou uma capa em volta do carro. Depois eu fui saber que de noite choveu e nevou com -2 graus. É um fenômeno meio raro, pois geralmente a chuva vira neve a essa temperatura. Mas nesse dia não. A chuva choveu mesmo e assim que caía nos carros congelava, então os carros estavam todos realmente blindados por gelo. E o porta-malas não abriu. Pedi pra Marina acessar o porta-malas por dentro do carro, do banco de trás, e ela achou. Começo a tirar a neve dos vidros, do limpador de para-brisa, e a mão a essas alturas já era. Meus dedos não me obedecem mais. E então vem a triste constatação, o carro está mesmo envolto em gelo, não dá pra dirigir assim. Tento jogar água no para-brisa. Calma, não sou tonta, claro que eu sei que em condições normais isso só ia piorar tudo, mas a água do limpador de para-brisa aqui tem um produto descongelante, que em dias de pouco gelo resolve. Mas não nesse dia. Não fez nem cosquinha. Então eu tive que começar a quebrar o gelo com a espátula que acompanha a vassourinha. Minha prima disse que nesse dia ela até quebrou a espátula dela por causa de tanto gelo. E gente, isso às 7 e meia da manhã, com o dia escuro como noite (afe?). Mas a minha espátula resistiu e foi devagarzinho descascando o gelo do para-brisa.
Aí apareceu o Marcelo. Gente, eu esqueci de comunicar meu marido da situação de sofrimento! E eu e ele tínhamos que sair às 8! Juntos tivemos a brilhante ideia de buscar água quente e jogar nos vidros. Caramba, que vizinhos bobos, como é que nunca pensaram nisso antes? E começamos a jogar água quente nos vidros, a Marina ajudando, e rapidinho o gelo se foi. Somos gênios ou não?
NÃO! Depois conversando com a minha prima ela me explicou que isso é super perigoso, que se o vidro tiver qualquer rachadinho, lascadinha, e quebra por causa do choque de temperatura. Por isso que alemão não faz isso. Uia! Ah, bom, por isso, né!
Eu sei que nesse dia acabamos levando a Marina pra escola, ela chegou atrasada, mas quase todo mundo chegou atrasado. Os trens atrasaram, muitos nem funcionaram, e virou tudo um caos.
E depois dessa a gente aprendeu a importância de olhar bem a previsão do tempo pra acordar mais cedo se tiver previsão de neve. E se um dia acontecer esse fenômeno do carro ficar dentro de um cubo de gelo de novo, já sabemos que o negócio é entrar em casa de novo, tomar mais um café quentinho, colocar luvas, e nada de jogar água quente nos vidros do carro!


















































